sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um problema lógico-psicológico

No sempre interessante De Rerum Natura, leio hoje uma transcrição dum capítulo do novo livro de Nuno Crato, A Matemática das coisas (Gradiva), intitulado As fatias do bolo-rei, que trata do problema de dividir um bolo por várias pessoas sem que no final alguém possa alegar ter sido injustiçado. Um problema interessante, sem dúvida. (Vá ler o texto, bem curto, antes de ler o seguinte:)

Esse problema foi tratado num episódio duma série infantil dedicada a esse género de problemas chamada "Aqui há gato". Via-o regularmente em criança, acho que na RTP 2. Não tenho a certeza, mas acho que era apresentado pelo Pedro Ribeiro.

Primeiro deram a solução para duas pessoas. A partir do dia em que o vi, usei sempre que podia o método quando o problema surgia no mundo real. Depois deram a solução para 3 pessoas, cujos pormenores infelizmente esqueci. Mas lembro-me de que não era usado o "método da faca deslizante", descrito no livro. Usava-se uma moeda para escolher a ordem de decisões, mas sem introduzir injustiça, claro. (Por exemplo, podemos usar uma moeda para o caso de duas pessoas sem injustiçar ninguém.) Mas o mais importante é que havia uma iteração em que se desenhava um corte, sem haver propriamente um corte duma fatia. Um dos participantes escolhia uma das partes virtuais. Numa iteração posterior, esse corte era redesenhado por outro participante.

Não me lembro do método. Se alguém o conhecer, era interessante que o expusesse aqui na caixa de comentários.

Nessa série lembro-me também de ver um daqueles problemas de obter uma medida dum líquido a partir de dois recipientes de medida conhecida mas sem graduação. E muitos outros problemas matemáticos divertidos.

Mas um problema que me fascinou e que nunca mais esqueci foi este:

Três pessoas tomam chá. Outra pessoa colou três cartões coloridos debaixo de cada chávena. Os jogadores sabem que há disponíveis cinco cartões: 3 vermelhos e 2 pretos, mas desconhecem as cores escolhidas pelo jogador exterior. Os jogadores ao beberem vêem os cartões por debaixo das chávenas dos outros, mas não vêem o seu próprio cartão. Ganha quem acertar primeiro na cor da sua chávena. Ora nesse episódio é mostrada a perspectiva dum dos jogadores, que vê que os amigos têm ambos um cartão vermelho. Nenhum deles arrisca uma resposta. Tendo em conta que os amigos são ambos inteligentes, o jogador da nossa perspectiva descobre a solução. Deixo aqui o desafio aos meus leitores de descobrirem qual a cor desse jogador e que raciocínio seguiu que lhe permitiu chegar à conclusão. É uma espécie de problema lógico-psicológico.

Ah, fiquei com vontade de comprar o livro. Do Nuno Crato só li o livro O "eduquês" em discurso directo (Gradiva), que é muito bom e cuja leitura aconselho veementemente.

terça-feira, 15 de abril de 2008

EuroNews e Berlusconi

A EuroNews não consegue disfarçar a desilusão por Silvio Berlusconi ter vencido as eleições em Itália ontem. É muito engraçado. Mas mesmo assim, ainda tentam disfarçar. Antes da eleição, o ódio a Berlusconi era muito mais evidente.

Alguém ainda leva este canal de propaganda a sério? Pode ser engraçado ver a mentalidade oficial europeia concretizada em cada notícia, mas acaba por se tornar chato e previsível. Que a RTP emita horas daquele canal é sintomático do papel doutrinador da TV do Estado português.

Prós & Contras VI

Quem não viu o debate pode vê-lo online (será que o acordo preconiza a opção "em linha"? Eu gosto de "em linha", mas pergunto-me: o acordo não é só sobre ortografia?) aqui. (Não encontro link directo.) Agradeço a indicação do link ao meu amigo Marco Aurélio Antunes, que, apesar de brasileiro, também é contra o acordo.

Hoje estou de parabéns. Todos estes posts foram enviados por telemóvel.

Prós & Contras V

Notas soltas.

Terminou o debate. O Reis dá vontade de rir até ao fim. Dizia ele que os livros não vão para o lixo, mas sim substituídos. Será que vão ser emendados?

Uma escritora brasileira começou a sua intervenção dizendo que ia fazer umas "colocações".

Só na última intervenção Vasco Graça Moura menciona os livros que ficarão inutilizados. Porque é que não apresentaram os argumentos todos logo no início?

Quem não conhecia as alterações introduzidas pelo acordo ficou sem conhecer. Esse era o papel dos apoiantes do acordo. Mas os opositores também podiam ter feito esse serviço. Eu pensava que estava informado, mas agora fiquei com dúvidas. Pensava que íamos passar a escrever "aspeto" e "ato", mas depois do que disse VGM, depreendi que não é certo. Vou ter de consultar o texto do Acordo. Mas receio que não me vai esclarecer muito. A introdução das ditas facultatividades é um inegável desastre.

Leio no blogue Portugal dos Pequeninos alguma contextualização à personagem Carlos Reis. Mas que homem insuportável! Aquele permanente ar de superioridade acompanhado por um sorriso cínico, os gestos, o virar do corpo para a plateia, as sobrancelhas franzidas acompanhando aquele sorriso condescendente de mente superior, o estar sempre a apontar lapsos irrelevantes nos outros, a constante adjectivação do outro ("superficialidade intelectual", etc.), os constantes "caro amigo", e outras hipocrisias de fraco nível, etc., tudo no homem é insuportável!

Antes do debate escrevi um texto para publicar aqui, que não acabei ainda, resumindo as minhas razões para rejeitar este acordo. Algumas coisas foram ditas por eles, mas nem tudo, pelo que quando o acabar ponho-o aqui.

Prós & Contras IV

Está quase a acabar o debate e apenas agora a Alzira Seixo aborda ao de leve a questão da evolução natural da ortografia, que deve preceder as reformas, isto deixando passar como pacífico que faça sentido regular por lei a ortografia.

Prós & Contras III

Só agora se fala no Inglês, que nunca teve ortografia oficial. Só agora...

De notar o bom humor com que Vasco Graça Moura reage à arrogância e ataques do Carlos Reis. Ponto para ele! Eu não reagiria assim...

Este Reis é insuportável. Deve pensar que é o maior. É "é assim", diz ele!

Prós & Contras II

Só agora aparece alguém com uma crítica pertinente e óbvia ao acordo: a questão da frequência das palavras com grafia alterada. Só agora falam nisto... Foi um linguista, António Emiliano.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Prós & Contras

Uma desilusão, o debate no Prós & Contras até agora sobre o nefasto acordo ortográfico.

Ninguém até agora se lembrou de dizer que o Estado devia manter-se fora da ortografia. Parece consensual que a lei deva dizer que se escreve assim ou assado, mas não é! Pobre país.

Os opositores ao acordo estão a fazer um mau trabalho. Não estão a ser sistemáticos, não se lembraram de muitos argumentos contra o acordo. O Vasco Graça Moura perde tempo com pormenores e tem péssima dicção. Sinceramente, preferia ter ido lá eu a ver esta tristeza.

De notar a arrogância do Carlos Reis a falar em ridículo, desonestidade intelectual, etc.

Voltarei ao tema.

sábado, 29 de março de 2008

«Populista libertário de extrema-direita»...

... é assim que Paulo Moura classifica Geert Wilders hoje no suplemento P2, do Público. Extrema-direita libertária... Estamos sempre a aprender.

Cenas da televisão pública

Mais uma história para acrescentar ao tema do "serviço público de televisão":

«(...) Ora, no muito interessante debate que se lhe seguiu (voltarei a ele amanhã) disse-se, por exemplo, que há público para o teatro sério. Então, se há público para o teatro sério e se se faz tanto bom teatro sério em Portugal, porque é que se transmite em directo uma comédia chamada O Dia das Mentiras que perpetua a imagem do teatro português como uma coisa revisteira e rasteirinha? (...)»

As boas intenções (1), de Jorge Mourinha, no Público de hoje.

Já eu acrescento uma pergunta: se há público para o teatro sério — e para o popular obviamente que há —, então porque é que passam a vida a pedir subsídios para o teatro?

A Esquerda e a moral

O artigo do João Miranda no DN de hoje é dos melhores que ele escreveu naquela coluna. Como é pequeno, transcrevo-o na íntegra. Destaques meus.


«Vícios e Virtudes

O Partido Socialista quer acabar com o conceito legal de culpa no divórcio. Isto é, quer transformar o casamento num compromisso sem compromissos. Este é o mesmo Partido Socialista que quer proibir os piercings na língua e que aprovou uma nova lei do fumo com o objectivo declarado de combater o vício. Entretanto, o Bloco de Esquerda, um partido que chegou ao Parlamento graças à defesa do aborto e das drogas leves, tem um projecto de lei para proibir a publicidade ao álcool no desporto. Graças ao empenho dos partidos de esquerda, os portugueses terão no futuro mais facilidade em romper um casamento ou fazer um aborto do que em fumar um cigarro, publicitar uma cerveja ou meter um piercing na língua.

A defesa de instituições e de regras que têm como objectivo proteger as pessoas delas próprias costumava ser uma característica das religiões tradicionais. Os partidos progressistas, como o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, começaram por contestar a autoridade religiosa com base na defesa da liberdade de cada um para tomar as suas próprias decisões. Mas agora que chegaram ao poder, desprezam a liberdade individual e limitam-se a substituir uma moral arbitrária por outra. A Igreja Católica tolerava o fumo e era contra a carne na Quaresma. O Partido Socialista tolera a carne na Quaresma mas embarcou numa campanha moralista contra o fumo. Neste contexto, a ASAE funciona como uma espécie de polícia do vício e da virtude. A ASAE não serve só para detectar carne estragada que nenhum consumidor estaria disposto a comer. Serve também para nos proteger de estabelecimentos que gostaríamos de frequentar e de produtos que gostaríamos de consumir. Ironicamente, uma das funções da ASAE é garantir que os hipermercados não abrem ao domingo à tarde. O domingo é um dia consagrado à família, quer os portugueses queiram quer não queiram. Claro que, graças ao projecto de lei do PS, os portugueses poderão agora dissolver a família sem culpa. Ficarão sem nada para fazer ao domingo à tarde.»

Esta última frase é deliciosa...

Ban Ki-moon, o Freitas da Coreia

Como o site que publicou o documentário Fitna o retirou dos seus servidores por os seus funcionários estarem a ser ameaçados de morte, substituí a fonte do vídeo ali em baixo por uma do Google Video.


Ban Ki-moon

Mas outra coisa triste nesta história foi a reacção infelizmente pouco surpreendente do secretário-geral dessa coisa de utilidade duvidosa chamada ONU, Ban Ki-moon :

"I acknowledge the efforts of the Dutch Government to stop the broadcast of this film and appeal for calm to those understandably offended by it. Freedom must always be accompanied by social responsibility." (in Un News Centre)

Ou seja, a ONU é a favor da censura prévia! Será que isto ainda pode piorar? Suponho que sim. O senhor Ban diz que é de compreender os que se sintam ofendidos com o vídeo. O facto de o vídeo apenas mostrar factos verdadeiros, citações rigorosas do Alcorão e dar a voz aos próprios muçulmanos parece-lhe irrelevante. A verdade não interessa para nada, o que interessa é que quem não gosta de a ouvir se sente "compreensivelmente" ofendido. Por isso, proíba-se de se dizer a verdade, a bem da hiper-sensibilidade violenta dos fanáticos.

Depois vem aquilo da "responsabilidade social", que ninguém sabe bem o que é, mas a que Ban acha que a liberdade de expressão se deve submeter. Ainda iremos ouvi-lo falar de "licenciosidade", conceito moralista transformado em político-filosófico por Freitas do Amaral aquando do episódio das caricaturas de Maomé. A escola é a mesma.

Freitas do Amaral

sexta-feira, 28 de março de 2008

Fitna, finalmente

Foi lançado ontem na Internet o muito aguardado documentário do político holandês Geert Wilders sobre o carácter intrinsecamente violento do islão. O filme chama-se Fitna, uma palavra árabe de impossível tradução que quer dizer, entre outras coisas, "discórdia". Ainda não havia uma só imagem do filme conhecida e já a Al-Qaeda tinha posto a cabeça de Wilders a prémio e muitos muçulmanos por todo o mundo queimavam bandeiras da Holanda... O próprio governo holandês tentou censurar o filme, em vão. O filme está também guardado no site WikiLeaks, além do próprio LiveLeak, onde foi oficialmente publicado, já que parece que o YouTube e outros serviços têm feito todos os possíveis por censurá-lo. É triste quando chegamos a este ponto de auto-censura...

O filme dura apenas 16 minutos e é de visionamento obrigatório! Está legendado em Inglês. Ei-lo:

Adenda, 29-03-2008: A LiveLeak retirou o vídeo porque os seus funcionários foram ameaçados de morte. Nada que nos espante. O vídeo está no Google Video e é dessa fonte que se reproduz o vídeo aqui em baixo (antes era do sítio original, a LiveLeak). Esperemos que a Google não ceda a chantagens. Se ceder, a liberdade de expressão terá acabado na prática e a barbárie terá vencido. A Wikipedia é o melhor sítio que conheço para seguir a história. A discussão sobre a página é de acompanhar também.


quinta-feira, 6 de março de 2008

A vergonha é quando o homem quiser

Mais notícias de solidariedade árabe, destaque meu:

Egipto inicia construção de muro na fronteira com a Faixa de Gaza
06.03.2008 - 17h24 AFP

O Egipto começou hoje a construir um muro ao longo da fronteira com a Faixa de Gaza, semanas depois de milhares de palestinianos terem passado a frágil vedação que separa os dois territórios para fugir ao bloqueio israelita.

Segundo uma fonte dos serviços de segurança israelitas, que falou à AFP sob condição de anonimato, o muro terá três metros de altura “ao longo de toda a fronteira com a Faixa de Gaza”.

Estou certo de que o Miguel Portas e camaradas não tardarão a condenar mais este "muro da vergonha".

Obama, 'kitsch' e os artistas

Milan Kundera escreveu, no excelente romance A Insustentável Leveza do Ser, se não me falha a memória, que o kitsch é inevitável na política. Não sei o que ele acha de Barack Obama, mas a mim este parece-me a encarnação perfeita do kitsch na política; um kitsch sofisticado, como muito do kitsch na história da arte, mas, ainda assim, kitsch.

A histeria à volta do candidato por causa do seu tom de voz, bom aspecto, e repetição ad nauseum de expressões vazias que não concretiza já me enjoa há muito. Mas acho que só agora, depois de ver o vídeo em baixo, me ocorreu a expressão "kitsch" e com ela a memória da passagem de Kundera que evoquei. Note-se que todos os participantes do vídeo são artistas — uns músicos, outros actores, outros ambas as coisas. Não aparece ninguém que não o seja. Este facto corrobora o que disse acima — são os artistas quem lida no seu trabalho diariamente com o kitsch e, por isso, são também os mais sensíveis a ele. É por isso compreensível que haja tanto artista entusiasmado com o boneco falante. Temos de compreender.

Os 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil e o antilusitanismo brasileiro

A professora insurgente

Vejo numa reportagem na SIC Notícias sobre os protestos dos professores contra a ministra da educação (não faz sentido usar iniciais maiúsculas aqui) uma professora explicando qualquer coisa que não retive porque estava a olhar para o seu keffiyeh — aquele pano axadrezado que os árabes tradicionalmente usam na cabeça e que alguns ocidentais "pacifistas" em prol do terrorismo usam ao pescoço para se proteger do frio e do bom-senso — e para o cartaz que trazia atado ao pescoço, e pergunto-me: «Será que os professores vão começar uma Intifada contra a ministra?» Ódio não falta...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Logo hoje...

Hoje, o Público faz 18 anos e o José Pacheco Pereira é director por um dia. Interessante. Só é pena que com a emoção se tenham esquecido de colocar em linha o suplemento P2, que hoje até traz um texto do Miguel Esteves Cardoso em que este escreve sobre o que odeia no jornal. Alguém dê um toque ao JPP...

Adenda, 6-3-2008: Afinal, o P2 está disponível, e em PDF, bem como o restante jornal. Aqui.

Somos todos democratas



No site de notícias da RTP, vejo isto escrito (a imagem acima é recortada do meu ecrã):

Hillary Clinton venceu e McCain garante nomeação
A senadora democrata Hillary Clinton venceu as primárias no Texas, Ohio e Rhode Island.

John McCain garantiu a nomeação e será o candidato democrata à Casa Branca.


Já sabíamos que para a generalidade dos nossos media, só os candidatos democratas são os correctos e os que interessa acompanhar. Há lapsos que revelam muito...

Dupla vitória para McCain

(imagem roubada daqui)

Esta noite foi de dupla vitória para McCain: ganhou a nomeação republicana para a presidência e viu adiada a decisão democrata, o que aumenta grandemente as hipóteses de o partido democrata continuar dividido até ao fim, contribuindo para a eleição presidencial de McCain.

Ron Paul também está de parabéns hoje.

Acidentes


«Vigilante foi encontrado com três facadas no peito
PSP não afasta hipótese de suicídio de segurança no Colombo

[O INEM encontrou] o segurança em paragem cardio-respiratória e com uma "hemorragia abundante", alegadamente resultante de três facadas que sofreu no peito (...). A morte foi confirmada e o corpo transportado para o Instituto de Medicina Legal para autópsia.

A PSP entregou o caso à Polícia Judiciária, que irá determinar se se tratou de um homicídio ou de um suicídio.»

04.03.2008 - 19h40 PÚBLICO

(Via João Miranda, no Blasfémias)

Polícia Judiciária inclina-se para acidente na morte de informador
05.03.2008, Público, versão impressa


Excesso de velocidade é a hipótese mais provável do despiste de que resultou a morte de Carlos Almeida, 29 anos, comerciante do ramo automóvel tido como um dos informadores da Polícia Judiciária (PJ) nos crimes da noite do Porto, que ficou carbonizado na madrugada de anteontem, na A4, junto à área de serviço de Águas Santas, Valongo.

(Destaques meus.)

Quantos quilómetros foram hoje?

Esta noite, o contribuinte português pôde assistir a esta fantástica sequência de programas na RTP 1:

21:35 - Quem Quer Ser Milionário
Concurso apresentado por Jorge Gabriel

22:35 - Futebol: Liga de Campeões - Resumos

23:45 - Liga dos Últimos
Magazine desportivo

00:25 - Trio d´Ataque

02:00 - O Tutor
3.ª temporada - série com Simon Baker

02:50 - Euronews

03:25 - Portugal no Coração
Repetição
(destaque meu)


Via Público.PT (O site da RTP confirma.)


Ou seja, depois do instrutivo concurso apresentado pelo insuportável Jorge Gabriel, vêm 3 horas e 25 minutos de futebol (e alguma publicidade), a que se segue propaganda da Comissão Europeia, terminando o serão com a repetição do Portugal no Coração, um serviço muito útil a quem sofrer de insónia!

Até quando teremos de pagar isto? Ao contrário do que diz o outro, prefiro mais uns quilómetros de auto-estrada...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Solidariedade árabe

Policiais egípcios ficam feridos em confronto com palestinos, diz ministro
Folha Online, 26/01/2008. Destaques meus:

«O ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Abul Gheit, informou neste sábado que 36 policiais e guardas de fronteiras ficaram feridos nos últimos dois dias em incidentes com cidadãos palestinos que entraram no Egito.

Gheit fez esta declaração após participar de uma reunião ministerial comandada pelo ditador egípcio, Hosni Mubarak, realizada para avaliar a situação da fronteira entre o Egito e a faixa de Gaza, informou a agência de notícias egípcia Mena.

O ministro disse que dez agentes das forças antidistúrbios e 26 guardas de fronteiras, entre eles dois oficiais, ficaram feridos nos incidentes, e alguns estão internados em estado grave.

"Grupos palestinos, que atravessaram a fronteira da Faixa de Gaza para o Egito cometeram ações de provocação contra os soldados de segurança egípcios", disse Gheit.

Na sexta-feira (26), os policiais egípcios teriam sido atacados com pedras por palestinos que cruzavam a fronteira entre Gaza e Egito.

Os soldados da polícia se limitam hoje a observar e controlar a passagem dos palestinos, que continuam entrando e saindo do Egito, onde se abastecem de vários tipos de produtos.

(...)

Israel manifestou preocupação de que a livre travessia de palestinos para o Egito poderia propiciar a entrada de armamentos em Gaza.
(...)»

Deve ser a isto que chamam solidariedade árabe.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A tirania da saúde

No passado dia 9, Sexta-feira, o Público dava destaque nas primeiras páginas a um estudo norte-americano que mostra que ter uns quilos a mais é benéfico em termos de esperança de vida, que são uma defesa em caso de doença e que quem tem peso a mais (mas não em exagero) até morre menos de certos cancros não relacionados com a obesidade, não se verificando diferença nos restantes. Uma boa notícia para os gordinhos e uma má notícia para estes escuteiros de serviço que abundam nas televisões a dar lições de moral aos telespectadores.

Na mesma edição, o jornal trazia na última página a habitual e imprescindível crónica de Vasco Pulido Valente (VPV), que, talvez por mera coincidência, alertava para os perigos deste zelo sinistro do Estado em obrigar as pessoas a ser saudáveis. Uma crónica, para não variar, excelente.


VPV é conhecido pelo seu pessimismo, mas aqui até foi pouco, quando escreveu:
à campanha contra quem fuma [vai seguir-se] a campanha contra quem bebe e a campanha contra quem come o que não deve ou come demais. E talvez, mais tarde, a campanha contra o "sedentarismo" e a falta de exercício.

Ora, na verdade, estas campanhas já começaram, e em força. O problema é que, ao contrário das leis que restringem o fumo em lugares públicos, estas não protegem a saúde dos
outros mas a dos próprios "prevaricadores". O argumento dos gastos públicos com a saúde é particularmente revoltante, pois a razão de ser dos cuidados de saúde universais e gratuitos é a solidariedade, a humanidade. Ora, a solidariedade é um acto de bondade, uma dádiva, não pode privar de liberdade o objecto dessa solidariedade. Se assim fosse, o Estado teria legitimidade para proibir os cidadãos de correr quaisquer riscos. Seria um Estado totalitário. Aliás, este é precisamente um dos argumentos do costume contra o Estado-social: quando o Estado se comporta como um paizinho dos cidadãos (Nanny State), estes acabarão por se tornar escravos do Estado. Um adolescente percebe esta evidência melhor do que ninguém. Eu não sou contra o Estado-social. Mas se é para nos tornar a todos dependentes dum Estado que tudo nos dá mas tudo nos tira, então vivo bem melhor sem ele.

No dia seguinte, dia 10, Sábado, VPV, numa crónica intitulada
Uma questão política, retomou o tema — comentando o facto de no dia anterior uma das notícias sobre o estudo ter como título A obesidade também é uma questão política —, perguntando «por que razão diz respeito aos Estados a obesidade do sr. A ou da sra. B ou mesmo de uma parte considerável da plebe democrática». E responde que «não se chega à perfeição que o Estado e a cultura exigem sem algum tempo e muito dinheiro. Como antigamente o ouro, a prata e as rendas separavam a opulência da miséria, o corpo e a saúde são hoje um símbolo de superioridade. E, pior ainda, um meio de promoção social.» Mas o pior é que antigamente ninguém era moralmente criticado por ser pobre. Hoje, ser gordo ou ter vícios começa a ser um vício de carácter; não ser perfeito é um defeito grave e altamente reprovável.

Seguem-se excertos da notícia e a crónica
(acesso pago) do dia 9 na íntegra.


Estudo norte-americano diz que não faz mal ter uns quilos a mais
09.11.2007, Teresa Firmino

Quem tem excesso de peso poderá morrer menos de alguns cancros do que... as pessoas com peso normal. Mas isso não é sinal para avançar para a despensa

Aqueles quilinhos a mais que muita gente lhe diz que tem de perder, afinal pode até deixar-se ficar com eles. Até lhe podem ser benéficos, caso tenha infecções ou seja submetido a uma cirurgia, funcionando como uma reserva de recursos e fazendo com que acabe por viver mais tempo. Em linhas gerais, este pode ser o resumo de um estudo sobre a relação entre o peso corporal e as principais causas de morte nos Estados Unidos, mas que está a causar polémica.

(...)

Quem tenha um excesso de peso moderado poderá até morrer menos de alguns cancros do que as pessoas com peso normal, uma conclusão surpreendente. Quer dizer que, depois de tantos anos a ouvirmos falar dos riscos do peso excessivo, até podemos ser ligeiramente gordos que não faz assim tanto mal? Sim, podemos, segundo este estudo, que analisou os dados relativos a milhões de pessoas, coligidos desde os anos 70.

De facto, nos cancros não relacionados com a obesidade (pulmões, pele ou linfomas), nas doenças respiratórias, em situação de ferimentos e infecções em geral, as pessoas com excesso de peso (mas sem serem obesas) até parecem estar mais protegidas do que as têm um peso normal. Para as doenças cardíacas, o estudo não encontrou diferenças estatísticas entre as pessoas com peso excessivo e normal. Ter uns quilos a mais, conclui ainda o estudo, nem sequer aumenta muito o risco dos cancros relacionados com a própria dieta, nos quais se incluem o cancro do cólon, da mama, útero, pâncreas, esófago ou rins.

Agora a crónica…
Por bondade
Vasco Pulido Valente

Quando a imprensa inglesa e americana anuncia que a proibição de fumar em restaurantes não teve efeitos visíveis na saúde pública, em Portugal essa mesma proibição entrará em vigor a 1 de Janeiro de 2008. O que me espanta nisto não é a extravagância do acto em si. Duas coisas me parecem muito piores. Em primeiro lugar, a facilidade com que em todo o Ocidente o Estado resolveu intervir na vida privada de cada um e negar radicalmente o direito de propriedade (impedindo, por exemplo, que se criem restaurantes de fumadores), sem um protesto sério em parte alguma. Em segundo lugar, a rapidez com que o fumador foi socialmente estigmatizado e o vício de fumar (há 20 anos, normal e aceitável) se tornou quase o que era antigamente uma blasfémia, uma profanação ou uma heresia.

Isto não anuncia nada de bom. Por um lado, porque fatalmente à campanha contra quem fuma se vai seguir a campanha contra quem bebe e a campanha contra quem come o que não deve ou come demais. E talvez, mais tarde, a campanha contra o "sedentarismo" e a falta de exercício. Não custa nada argumentar com as doenças que o álcool e a gordura provocam (tantas como o tabaco), ou retirar do mercado "produtos de risco", ou vigiar o que os restaurantes servem. Por outro lado, já se viu que o poder do Estado para converter a populaça ao objectivo tenebroso de "melhorar o homem" é hoje ilimitado. A metamorfose das democracias do Ocidente em totalitarismos de uma nova espécie não incomoda ninguém. Não uso a palavra descuidadamente (não uso, de resto, nenhuma palavra descuidadamente): para Hitler (que não fumava, nem bebia), o alemão perfeito não andava muito longe do perfeito espécime do Ocidente contemporâneo.

Imagino muitas vezes quem, de facto, quererá este mundo sufocante e asséptico, obcecado com a "saúde"? Gente, como é óbvio, com pouca imaginação. Por mais forte que seja o culto e a idolatria do corpo, a velhice chega. E, com ela, a irrelevância, a obsolescência, a solidão. Esta sociedade de velhos trata muito mal os velhos. A ideia (e a propaganda) de uma adaptação contínua é uma grande e cruel mentira. Os velhos são um embaraço. Um peso que se atura, que se arruma num canto, que se mete num "lar". Setenta anos de esforço para durar acabam num limbo à margem da verdadeira vida, quando não acabam no sofrimento e na miséria. O Ocidente está a criar um inferno. Por bondade, claro.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Separados à nascença

Barak ObamaBarak Obama


Lewis HamiltonLewis Hamilton

Separadas à nascença

Jennifer GarnerJennifer Garner


Liliana AguiarLiliana Aguiar

Como sempre, o original é (bem) melhor que a imitação…

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Um brinde fracote...

Hoje (i.e. ontem...) comprei O Último Adeus, de Balzac, por apenas 0, 90 €!

Ah, e vinha ainda o Diário de Notícias como brinde...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Socretinos

Contaram-me pessoalmente e depois li o termo algures numa caixa de comentários do Blasfémias:

— Que nome se dá aos apoiantes de Sócrates?
— Socretinos.

Genial.

Efeito CSI?

Um dos problemas maiores dos portugueses é gostarem de falar por cima da burra. Cartaz nas praias portuguesas: "Água compatível com a prática balnear." Vão mas é dar banho ao cão.


Escreveu-o Ferreira Fernandes, no Diário de Notícias de ontem (6/8/2007), citado no Público de hoje.

Talvez mais do que pelo gosto de "falar por cima da burra", isto deve ser causado por consumo excessivo de séries tipo CSI, em que tudo é "consistente com" e "compatível com".

sábado, 4 de agosto de 2007

Até a dormir sou intelectual

Hoje adormeci e dormi com os óculos postos.